O ecocardiograma com strain (também chamado de strain cardíaco) é um exame avançado que consegue detectar alterações no músculo cardíaco de forma mais precoce do que o ecocardiograma tradicional.
Neste artigo, você vai entender o que é ecocardiograma com strain (GLS), para quem é indicado e quando vale a pena fazer.
O que é o Strain (GLS)?
O strain avalia a deformação do músculo do coração, ou seja, como as fibras cardíacas se encurtam e se distendem. Isso é realizado por meio de um rastreamento de pequenos pontos no músculo cardíaco que analisam sua movimentação.
O principal parâmetro é o GLS (Strain Longitudinal Global), que pode identificar disfunções cardíacas iniciais mesmo quando o ecocardiograma comum ainda está normal.
Como seria um strain do ventrículo esquerdo normal?
Essa é uma representação de todos os segmentos do coração. Perceba que a imagem mostra um mapa polar (bulls eye) com um vermelho homogêneo.
Como seria um strain do ventrículo esquerdo alterado?
A representação abaixo mostra como evolui o strain ao longo de 5 anos de uso em um fisiculturista.

B- Fisiculturista de 26 anos com 2 anoS de uso de EA.
C- Fisiculturista de 29 anos com 1 ano de uso de EA.
*EA: esteroide e anabolizante
1- Strain alterado por uso de antracíclico (quimioterápico).
Quando o strain mostra alterações relacionadas ao uso de esteroides anabolizantes ou à quimioterapia, ele ajuda a identificar o que chamamos de cardiotoxicidade.
E o que é cardiotoxicidade? É quando o coração sofre algum tipo de “agressão” ou dano causado por substâncias que podem afetar o músculo cardíaco.
O mais importante é as alterações podem surgir muito antes dos sintomas e até mesmo quando o ecocardiograma convencional ainda está normal, com fração de ejeção preservada.
Para pessoas com maior risco de cardiotoxicidade, como usuários de anabolizantes e em quimioterapia, o strain é uma ferramenta importante para detectar alterações precoces. Se você faz parte desse grupo, vale conversar com seu médico sobre a indicação.
REFERÊNCIAS
Cardiotoxicidade por agentes quimioterápicos e esteroides anabolizantes. In: CASTILHO, José. Aplicações do strain cardíaco. Recife: Ecoplay, 2021. cap. capítulo 9, p. 268-270.
ALMEIDA, A. L. C. et al. Posicionamento do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre o uso do strain miocárdico na rotina do cardiologista – 2023. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 120, n. 12, e20230646, 2023. DOI: 10.36660/abc.20230646.
Taís Albano Hernandes
Graduada em medicina pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA). Possui residência em Clínica Médica pelo HGC (SUS-SP), em Cardiologia e aprimoramento em Ecocardiografia pelo Hospital do Coração (HCOR). Porta o título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e de Ecocardiografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC).








