Como criar hábitos saudáveis e mantê-los na rotina

Como criar hábitos saudáveis e mantê-los ao longo do tempo?

Você já decidiu começar a praticar exercícios físicos, melhorar a alimentação ou dormir mais cedo, mas, depois de algumas semanas, acabou voltando à rotina anterior?

Isso é mais comum do que parece. E nem sempre significa falta de disciplina ou de vontade de cuidar da saúde.

Criar hábitos saudáveis envolve começar com mudanças possíveis, facilitar sua repetição e adaptar essas escolhas à rotina. Pequenas atitudes, quando mantidas ao longo do tempo, podem contribuir para a saúde cardiovascular.

No artigo anterior, conversamos sobre os oito pilares da saúde cardiovascular, conhecidos como Life’s Essential 8, da American Heart Association.

Eles incluem alimentação, atividade física, sono, ausência de exposição à nicotina e controle de fatores como pressão arterial, colesterol, glicose e peso corporal.

Mas conhecer esses pilares é apenas o primeiro passo.

O verdadeiro desafio costuma ser transformar o conhecimento em escolhas que possam fazer parte da vida cotidiana.

Afinal, como começar uma mudança de hábitos e conseguir mantê-la?

Por que é tão difícil mudar hábitos?

Mudar hábitos pode ser difícil porque muitos comportamentos são repetidos quase automaticamente, influenciados pela rotina, pelo ambiente e pelas experiências anteriores.

O que comemos, o horário em que dormimos e a quantidade de movimento ao longo do dia não dependem apenas de decisões conscientes.

Imagine uma pessoa que trabalha durante muitas horas, chega cansada em casa e decide começar a fazer exercícios todos os dias.

Mesmo sabendo que a atividade física faz bem à saúde, ela pode encontrar dificuldades para conciliar esse objetivo com suas responsabilidades.

Isso ajuda a entender por que depender apenas da motivação nem sempre funciona.

No livro Hábitos Atômicos, James Clear apresenta uma abordagem baseada em pequenas mudanças e na organização do ambiente para facilitar comportamentos desejados.

A ideia é simples: em vez de tentar transformar toda a rotina de uma vez, podemos começar com atitudes que sejam possíveis de repetir.

Isso não significa que qualquer mudança pequena seja suficiente para alcançar todas as metas de saúde. O importante é que ela represente um primeiro passo em direção a um cuidado consistente.

Como criar hábitos saudáveis? Conheça quatro estratégias práticas

Existem diferentes maneiras de facilitar a mudança de hábitos. Algumas delas podem ser compreendidas a partir dos princípios apresentados por James Clear em Hábitos Atômicos.

1. Torne o hábito visível

Criar lembretes no ambiente pode ajudar você a se lembrar do comportamento que deseja incorporar à rotina.

Se o objetivo é começar a caminhar pela manhã, por exemplo, deixar o tênis e a roupa separados na noite anterior pode facilitar essa decisão.

Se deseja melhorar a alimentação, organizar antecipadamente as opções disponíveis em casa também pode ajudar.

Esses pequenos ajustes diminuem a necessidade de decidir tudo novamente a cada dia.

Na prática: escolha um hábito que deseja desenvolver e identifique uma maneira de torná-lo mais presente na sua rotina.

2. Torne o hábito agradável

Nem toda atividade saudável precisa ser encarada como uma obrigação desagradável.

Se você não gosta de academia, por exemplo, pode encontrar outras formas de movimentar o corpo, como caminhar ao ar livre, dançar ou praticar algum esporte adequado às suas condições de saúde.

O mesmo princípio pode ser aplicado à alimentação. Melhorar a qualidade das refeições não significa abandonar todos os alimentos de que você gosta, mas encontrar combinações equilibradas que respeitem também suas preferências.

Quanto mais viável e agradável for uma mudança, mais fácil pode ser incorporá-la ao cotidiano.

Na prática: procure alternativas saudáveis que façam sentido para seus gostos, necessidades e possibilidades.

3. Torne o hábito fácil de começar

Uma dificuldade comum é estabelecer metas muito exigentes logo no início.

Quem passa boa parte do dia sentado pode encontrar dificuldades para começar com uma rotina intensa de exercícios físicos.

Nesse caso, períodos mais curtos de atividade podem ser um primeiro passo, com progressão gradual conforme as condições clínicas e a orientação profissional.

O mesmo vale para o sono. Uma pessoa que costuma dormir muito tarde pode começar identificando quais comportamentos estão dificultando o descanso, antes de tentar reorganizar completamente seus horários.

Na prática: em vez de estabelecer várias mudanças simultaneamente, escolha uma prioridade e defina um primeiro passo realista.

Lembre-se de que começar aos poucos não significa abandonar as metas de saúde recomendadas para sua condição.

4. Torne o progresso gratificante

Perceber pequenas conquistas pode ajudar a manter a motivação.

Uma maneira de fazer isso é acompanhar os comportamentos que você está tentando desenvolver.

Por exemplo, registrar os dias em que realizou uma caminhada ou conseguiu organizar melhor os horários de sono pode ajudar a reconhecer sua evolução.

O objetivo não é transformar o cuidado com a saúde em uma cobrança constante, mas perceber que você está construindo uma rotina diferente.

Na saúde cardiovascular, também pode ser importante acompanhar indicadores clínicos, como pressão arterial, colesterol e glicemia, conforme a necessidade de cada paciente.

Esses resultados, entretanto, não devem ser avaliados isoladamente ou utilizados como única medida do sucesso de uma mudança.

Na prática: valorize os comportamentos que conseguiu manter e observe sua evolução ao longo do tempo, sem esperar resultados imediatos em todos os indicadores de saúde.

Como manter hábitos saudáveis mesmo com uma rotina corrida?

Para manter hábitos saudáveis, é importante que as mudanças sejam compatíveis com a sua realidade.

Nem sempre será possível seguir uma rotina ideal de alimentação, sono e exercícios. Trabalho, compromissos familiares e imprevistos podem interferir no planejamento.

Por isso, vale identificar quais situações dificultam seus objetivos.

Se a falta de tempo impede a atividade física, por exemplo, talvez seja necessário rever os horários disponíveis ou encontrar formas de incluir mais movimento no dia.

Se a alimentação é prejudicada pela rotina de trabalho, planejar algumas refeições com antecedência pode ser uma alternativa.

Já quando o problema envolve dificuldades para dormir, pode ser necessário investigar hábitos e condições de saúde que estejam interferindo no descanso.

Não existe uma única estratégia capaz de funcionar para todas as pessoas.

O mais importante é encontrar maneiras de adaptar as recomendações de saúde ao cotidiano, sem perder de vista os objetivos do cuidado.

O que fazer quando você não consegue manter um hábito?

Não conseguir seguir o planejamento em determinado momento não significa que todo o esforço anterior foi perdido.

É natural que existam períodos em que a rotina mude e algumas atividades precisem ser reorganizadas.

Em vez de abandonar completamente o objetivo, procure identificar o que dificultou sua continuidade.

A meta estava exigente demais? O horário escolhido não funcionou? Surgiu alguma mudança importante na rotina?

Responder a essas perguntas ajuda a compreender o que precisa ser ajustado.

Por exemplo, se você planejou caminhar cinco vezes por semana, mas não conseguiu manter essa frequência, pode ser mais produtivo reorganizar os dias disponíveis do que desistir da atividade.

Construir hábitos saudáveis não exige perfeição. Exige continuidade, flexibilidade e disposição para adaptar o planejamento quando necessário.

Quanto tempo leva para criar um hábito saudável?

Não existe um prazo único para transformar um comportamento em hábito.

O tempo necessário depende de fatores como a complexidade da atividade, a frequência com que ela é realizada e as circunstâncias de cada pessoa.

Começar a beber água regularmente durante o dia, por exemplo, é uma mudança diferente de estabelecer uma rotina de exercícios físicos.

Além disso, algumas mudanças exigem adaptações maiores, acompanhamento profissional ou tratamento de condições de saúde que dificultam sua execução.

Por isso, mais importante do que contar quantos dias são necessários para formar um hábito é avaliar se a mudança está sendo incorporada à rotina de maneira sustentável.

Qual é a relação entre hábitos saudáveis e saúde do coração?

Os hábitos de vida influenciam diferentes fatores relacionados ao risco cardiovascular.

A atividade física regular, uma alimentação equilibrada, o sono adequado e a ausência de exposição ao tabaco contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares.

Esses comportamentos também fazem parte do cuidado de pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado e outras condições clínicas.

Entretanto, mudanças no estilo de vida não substituem automaticamente tratamentos médicos.

Uma pessoa com pressão alta, por exemplo, pode precisar tanto de mudanças na alimentação e na atividade física quanto de medicamentos para controlar adequadamente a pressão arterial.

Da mesma forma, pessoas com colesterol LDL elevado podem precisar de tratamento medicamentoso, dependendo dos resultados dos exames e do risco cardiovascular individual.

Por isso, desenvolver hábitos saudáveis deve fazer parte de uma estratégia de cuidado mais ampla, considerando as necessidades de cada paciente.

Qual é o papel do médico na mudança de hábitos?

Durante uma consulta, é comum receber orientações sobre alimentação, atividade física, sono e controle dos fatores de risco cardiovascular. Mas existe uma diferença importante entre saber o que precisa mudar e conseguir colocar essa recomendação em prática.

Para que as orientações sejam aplicáveis, é necessário compreender a realidade do paciente.

Isso envolve conhecer sua rotina de trabalho, suas preferências, suas dificuldades, seus hábitos atuais e suas condições de saúde.

Imagine duas pessoas com hipertensão arterial.

Uma delas trabalha em casa, possui horários flexíveis e consegue organizar suas refeições. A outra passa muitas horas fora, realiza deslocamentos longos e encontra dificuldades para manter horários regulares.

Embora ambas precisem controlar a pressão arterial, as estratégias para melhorar seus hábitos podem ser diferentes.

É nesse momento que a consulta deixa de ser apenas um espaço para identificar problemas e passa a ser também uma oportunidade de construir um plano de cuidado individualizado.

Por que o acompanhamento cardiológico faz diferença?

O acompanhamento cardiológico permite avaliar como os hábitos de vida estão relacionados à saúde do coração e identificar quais mudanças merecem maior atenção.

Durante a avaliação, o médico considera o histórico clínico, os fatores de risco, os medicamentos utilizados e os resultados dos exames.

Com essas informações, é possível definir prioridades e acompanhar a evolução de indicadores como pressão arterial, colesterol e glicemia.

Também é possível identificar quando as mudanças no estilo de vida precisam ser associadas a outras medidas de tratamento.

Esse cuidado é especialmente importante para pessoas com doenças cardiovasculares conhecidas ou fatores de risco que exigem acompanhamento.

Mais do que orientar o que precisa mudar, a consulta pode ajudar o paciente a compreender por que aquela mudança é importante e como ela pode fazer parte de sua rotina.

Cuidar da saúde é um processo construído ao longo do tempo

Não é necessário esperar o momento perfeito para começar a cuidar da saúde.

Muitas vezes, uma mudança possível hoje é mais útil do que um planejamento muito ambicioso que nunca consegue sair do papel.

Isso não significa ignorar recomendações médicas ou acreditar que pequenas atitudes, isoladamente, resolvem todos os problemas.

Significa reconhecer que a construção de hábitos saudáveis precisa considerar a vida real.

Se você deseja cuidar melhor do coração, mas encontra dificuldades para mudar seus hábitos, uma avaliação cardiológica pode ajudar a identificar os principais fatores de risco e estabelecer prioridades adequadas à sua condição.

A Dra. Taís Albano realiza atendimento cardiológico particular na Avenida Paulista, em São Paulo, com uma abordagem individualizada que considera a história, os exames e a rotina de cada paciente.

Cuidar da saúde cardiovascular não é apenas saber o que fazer. É encontrar maneiras de transformar esse conhecimento em atitudes que possam ser mantidas ao longo da vida.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada. Recomendações sobre atividade física, alimentação e tratamento devem considerar as condições de saúde de cada pessoa.

Referências

  1. CLEAR, James. Hábitos atômicos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019.
  2. LLOYD-JONES, Donald M. et al. Life’s Essential 8: Updating and Enhancing the American Heart Association’s Construct of Cardiovascular Health. Circulation, v. 146, n. 5, p. e18–e43, 2022. DOI: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000001078.
  3. MICHIE, Susan et al. The Behavior Change Technique Taxonomy (v1) of 93 Hierarchically Clustered Techniques: Building an International Consensus for the Reporting of Behavior Change Interventions. Annals of Behavioral Medicine, v. 46, n. 1, p. 81–95, 2013. DOI: https://doi.org/10.1007/s12160-013-9486-6.

Quem é a Dra. Taís Albano?

Acredito que a tecnologia de ponta só faz sentido quando serve a um cuidado humano e acolhedor. 

Minha paixão é usar a precisão do ecocardiograma não apenas para diagnosticar, mas para trazer clareza e direcionamento, aliviar a preocupação e construir uma relação de confiança com cada paciente. 

Aqui, você é ouvido e seu tempo é valorizado.

Dra Taís Albano é médica cardiologista e ecocardiografista pelo grande centro cardiológico Hospital do Coração (HCOR). Acredita no cuidado centrado no paciente e em suas necessidades. Realiza atendimento com foco em diagnóstico preciso, escuta atenta e disponível para solucionar dúvidas.

O consultório conta com ecocardiograma e eletrocardiograma no próprio local, oferecendo mais agilidade e permitindo que você conheça seu coração já na primeira consulta.

Formação:

  • Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA)
  • Residência em Clínica Médica – SUS-SP
  • Residência em Cardiologia pelo Hospital do Coração (HCOR)
  • Aprimoramento em Ecocardiografia pelo Hospital do Coração (HCOR)

Títulos e Atuações Destacadas:

  • Título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)
  • Título de Ecocardiografista pelo Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC).
  • Ecocardiografista no Hospital Metropolitano, HCOR e Hospital Samaritano Higienópolis